Alimentação

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                  Alimentação Saudável, Crescimento 

                                                         e

                      Doenças Reumáticas Crónicas Juvenis 

 

Uma alimentação saudável é importante para um crescimento adequado de todas as crianças. Nas doenças crónicas os cuidados com a alimentação é de extrema utilidade.

Uma nutrição cuidada é um importante instrumento tanto para a conquista de uma melhor qualidade de vida, prevenir doenças, promover adequadamente o crescimento ou minimizar os efeitos das doenças crónicas no desenvolvimento estaturo-ponderal, proporcionar o fortalecimento do sistema imunológico e melhoria do estado inflamatório criado por muitas patologias, entre elas as doenças reumáticas crónicas (DRC).

A alimentação saudável proporciona ao organismo quantidades apropriadas, de carbohidratos, proteínas, lípidos, vitaminas, sais minerais, água e fibras. A quantidade das porções destes varia consoante a faixa etária e o sexo, de acordo com a pirâmide alimentar ou roda de alimentos. Mas, uma alimentação saudável implica também a existência de algumas regras:

- Horário das refeições e pequenos lanches (5 a 6 ao longo do dia);

- Intervalos de cerca de 3 horas entre as refeições;

- Comer devagar e garantir uma mastigação correcta dos alimentos; 

- Proporcionar refeições calmas na companhia dos familiares e ou amigos, se possível, evitando estimulações com televisão, vídeos, etc.
 
- A manutenção do peso dentro dos parâmetros adequados para a idade e sexo, evitando erros alimentares por excesso ou defeito;
 
Nas doenças crónicas, nomeadamente nas patologias reumáticas juvenis, uma alimentação harmoniosa poderá trazer benefícios durante a idade pediátrica, e consequentemente na vida adulta. São exemplos desses benefícios:
 
1-O cuidado na ingestão de gorduras e a sua importância na prevenção da inflamação, das alterações cardiovasculares e acidentes vasculares (complicações que se podem verificar em algumas doenças sistémicas, apesar de mais raras na faixa pediátrica) deverá promover os alimentos cozidos e grelhados. Quando cozinhados de outra forma, escolher um óleo vegetal por ser rico em gorduras polinsaturadas e nas saladas utilizar pequenas quantidades de azeite; 
 
2- A redução de sódio (sal) e evitar alimentos pré confeccionados industriais, que apresentam um teor aumentado de sódio, para prevenção de edema (inchaço) e de retenção de água (causada pelos corticóides) e de hipertensão arterial (a qual é uma problemática nos doentes medicados por exemplo com corticosteroídes e/ou ciclosporina A); 
 
3- Ingestão adequada de produtos lácteos, tofu e vegetais verdes escuros, proporcionam um consumo de cálcio apropriado. Este é da maior relevância, para prevenção da osteoporose, a qual poderá ser de maior risco em crianças e jovens com DRC e mais se medicamentos com terapêuticas que reduzam a absorção desde nutriente; 
 
4- Não ingerir leite e sobremesas lácteas durante e logo após o almoço e jantar pois interfere com a absorção do ferro contido nos alimentos dessas refeições, e alguns doentes já apresentam anemia pela cronicidade da sua doença;
 
6- As proteínas são macromoléculas constituídas por outras moléculas mais pequenas chamadas aminoácidos. O nosso organismo necessita de vinte e dois diferentes para manter todas as suas funções e estruturas proteicas. Destes, dez são essenciais e só podem ser obtidos através da alimentação. 
 
As proteínas têm uma função essencialmente plástica, são responsáveis pela formação e manutenção dos tecidos celulares e também pela síntese dos anticorpos contra as infecções. Elas produzem energia e apoiam na formação da hemoglobina e de várias enzimas. As proteínas podem ser encontradas em alimentos vegetais como o tofu, o leite e o granulado de soja, as leguminosas (feijão, grão-de-bico, ervilhas, favas e lentilhas) e as sementes oleaginosas (amêndoas, nozes, avelãs…) mas também se encontram em alimentos animais (carne, aves, peixe, marisco, ovos e leite).
 
Numa alimentação ponderada e saudável devemos combinar alimentos com proteínas de valor biológico alto (animais) e baixo (vegetais), para não se criarem desequilíbrios graves. Por um lado os alimentos de origem animal não têm só proteínas, na sua constituição existem grandes quantidades de gordura saturada e de colesterol, por outro lado os alimentos de origem vegetal são pobres em gorduras saturadas, não têm colesterol e oferecem grandes quantidades de hidratos de carbono complexos e fibras.
 
Quando existe carência de proteínas, pode haver debilidade, edema (inchaço), insuficiência hepática (fígado funciona mal), apatia e até pode haver compromisso das defesas do organismo. Apesar das crianças e dos adolescentes necessitarem de alimentos com uma quantidade de proteínas ligeiramente superior aos adultos, comparativamente com o seu peso e altura e numa alimentação equilibrada, o excesso torna-se um risco por promover acidificação sanguínea, aumento de ácido úrico, doenças renais e reumáticas (osteoporose, gota, entre outras); 
 
7- Os hidratos de carbono estão presentes em vários alimentos como: massa, cereais, batatas, arroz, frutos e vegetais. Eles são também chamados açúcares e são a principal fonte de energia do nosso organismo. Existem três tipos: os monossacarídeos encontrados na composição do mel e da fruta (frutose, glucose e galactose) e os dissacarídeos (a sacarose no açúcar comum, a lactose é o açúcar do leite e a maltose nos cereais) são moléculas pequenas e como tal facilmente absorvidas e utilizadas pelo organismo. São os açúcares de utilização rápida. Os polissacarídeos são moléculas grandes e por isso são açúcares de absorção e utilização lenta (necessitam de se transformar em moléculas mais pequenas chamadas glucose) e dão origem ao amido, glicogénio, celulose e outras fibras encontrados no pão e nos variados cereais, arroz, massa e leguminosas.
 
Numa alimentação equilibrada alguns alimentos que têm açúcares de absorção rápida devem ser evitados ao máximo (o caso de todos os doces) ou fazerem parte da alimentação diária, mas com peso e medida (caso da fruta), no entanto, os polissacarídeos são necessários diariamente, mas sempre nas quantidades recomendadas na pirâmide alimentar, evitando sempre o excesso de peso, mas também evitando a magreza e até mesmo a desnutrição;
 
8- O consumo de alimentos com vitaminas A e E, como são exemplo a cenoura, couve, couve flor, tomate, espinafre, abóbora, cereais integrais, amêndoa, manga e leite desnatado, são importantes pelo efeito anti-inflamatório, anti-oxidante e de protecção das infecções por melhorarem o sistema imune;
 
9- Não esquecer a ingestão de alimentos com fibras (legumes, verduras, frutas e cereais integrais). Para aumentar o seu consumo tentar comer alguns desses alimentos com casca;
 
10- Incentivar a ingestão de água ao longo do dia. Ela é fundamental para repor as necessidades diárias, incluindo para o trânsito intestinal;
 
11- Restringir ao máximo os refrigerantes. Estes são bebidas carbonatadas ou fosfatadas e como tal podem intervir com o metabolismo ósseo levando a menor deposição de cálcio; 
 
12- Podem ser oferecidos sumos naturais (ricos em vitaminais e sais minerais), no entanto se isso não for possível, poderá pontualmente substituir por polpa de fruta, mas nunca por um refrigerante;
 
As artrites idiopáticas juvenis (AIJs) são as doenças reumáticas crónicas mais frequentes da criança e do adolescente. São caracterizadas por um processo inflamatório crónico que causa alterações na composição corporal (na quantidade de massa gorda, muscular e óssea) e consequentemente na qualidade de vida dessas crianças. Algumas delas apresentam situações clínicas mais graves necessitando da orientação de um nutricionista, para obter uma dieta mais personalizada, a qual deve ser proporcionada com a indicação da Consulta de Reumatologia Pediátrica.
 
Todos nós sabemos ou calculamos que não existe uma fórmula alimentar milagrosa. As recomendações alimentares parecem ser um pouco complexas, mas na prática as pequenas mudanças podem dar efeitos significativos. No dia a dia, é importante ter uma prática alimentar organizada e harmoniosa, pois só assim poderemos promover qualidade de vida ás nossas crianças e jovens, os quais serão os adultos de amanhã.  
 
(Margarida Ramos - pediatra)
 

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