Tratamento

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O tratamento da AIJ tem múltiplas vertentes, tendo como objectivos:

 

  • controlar a inflamação
  • aliviar a dor
  • prevenir ou controlar as lesões articulares
  • melhorar a função das articulações

Para atingir estes objectivos o tratamento deve incluir medicamentos, exercício físico, vigilância oftalmológica, cuidados com os dentes e uma alimentação equilibrada. Por vezes são necessários cuidados de posicionamento articular, com utilização de talas e, em alguns casos, cirurgia ortopédica. Em complemento destas atitudes será importante o apoio emocional à criança e à família.

 

CUIDADOS GERAIS:

Os cuidados gerais  a ter com estas crianças são muito importantes:

  • actividade física: adequado equilíbrio entre o repouso e o exercício físico de acordo com actividade da doença e o conselho médico;
  • posicionamento correcto das articulações atingidas: evitar posturas        incorrectas durante o repouso e corrigir as posições articulares com talas de material leve;
  •  minimizar a rigidez matinal: dormir bem agasalhado (usar saco-cama), banho quente matinal (preferencialmente de imersão);
  • facilitar as actividades de vida diária: roupa fácil de vestir e despir (evitar os botões); torneiras e maçanetas nas portas fáceis de rodar; dispositivos para a melhor utilização de facas, garfos e colheres; reduzir peso do material escolar e facilitar o seu transporte;
  • promoção de posturas adequadas durante as aulas: sentar-se com os pés bem apoiados no chão; mesa de trabalho com plano inclinado; dispositivos que facilitem a utilização do material escolar (ex. lápis e canetas com cabo grosso)
  • actividades desportivas aconselhadas: natação em piscina com água aquecida; andar de triciclo ou bicicleta;
  • integração nas brincadeiras adequadas ao grupo etário (plasticina, pintura, etc.);
  • alimentação equilibrada, evitando a subnutrição por alimentação deficiente (falta de apetite e erros alimentares) ou os excessos alimentares que provocam obesidade, especialmente nas crianças tratadas com corticosteróides; a dieta não causa a doença nem a evita, mas deverá assegurar um crescimento normal.  

 

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

Antes do seu filho iniciar qualquer tratamento não esqueça que deve compreender bem porque é que ele (ou ela) o toma. O adolescente deve interessar-se, e responsabilizar-se, pelo seu tratamento.

De muita importância é também saber quando se devem tomar os medicamentos (em que alturas do dia, antes ou depois das refeições, etc.) e porquê.

Durante quanto tempo os medicamentos devem ser tomados é também uma dúvida importante que pode e deve ser esclarecida antes de abandonar o consultório médico.

Questione também sobre os efeitos secundários possíveis dos medicamentos. Lembre-se que “não há bela sem senão” e todos os medicamentos podem ter efeitos secundários, os quais poderão ser prevenidos, ou muito minimizados, se forem por si conhecidos.

Em qualquer circunstância, se não entender algo não se iniba de o perguntar de novo ao Reumatologista do seu filho.

É bem verdade que “perguntar não ofende”, e neste caso o que poderá ofender (a saúde do seu filho) será a deficiente compreensão de alguns dos vários aspectos do seu tratamento.

Assegure-se que tem uma forma fácil de contactar o Reumatologista do seu filho, em caso de necessidade.

São vários os medicamentos que se podem utilizar:

  • anti-inflamatórios não esteróides (AINES) - ácido acetilsalicílico, ibuprofeno, naproxeno, diclofenac, nimesulide, indometacina, etc.- que têm indicação em quase todos os casos;
  • paracetamol – medicamento que combate a dor e a febre, sendo também utilizado como complemento do tratamento da dor e da febre;
  • corticosteróides (derivados da cortisona) - metilprednisolona, prednisolona, prednisona,  deflazacort, hexacetonido de triancinolona etc. - que estão apenas indicados em casos seleccionados; o hexacetonido de triancinolona é administrado directamente nas articulações inflamadas (sinovectomia química);
  • medicamentos anti-reumáticos mais potentes de acção lenta - metotrexato, sais de ouro, hidroxicloroquina, sulfassalazina, ciclosporina A, etc. - que estão indicados em casos cuidadosamente seleccionados, em que as medidas terapêuticas iniciais, isoladamente, não forem eficazes.   

 

Possíveis efeitos adversos dos medicamentos:

Para além de servirem para o tratamento das doenças, todos estes medicamentos podem ter efeitos adversos que limitem o seu uso. Os efeitos adversos mais comuns são:

  • AINES: dores abdominais, anorexia, hemorragias digestivas, cefaleias, etc.
  • corticosteróides: obesidade, “cara de lua-cheia”, osteoporose, atraso de crescimento, estrias cutâneas, cataratas, diminuição da resistência às infecções, hipertensão arterial, etc.
  • metotrexato: “boqueiras”, alterações da mucosa da boca, náuseas, diarreia, afecção do fígado (ingestão de bebidas alcoólicas proibida), etc.
  • sais ouro: manchas ou comichão cutânea,  repercussões renais e sanguíneas, etc.
  • hidroxicloroquina: náuseas, alterações da visão (justificando vigilância oftalmológica regular 2 a 3 vezes por ano), etc.
  • sulfassalazina: manchas ou comichão cutânea, repercussões sanguíneas, etc.
  • ciclosporina: hipertensão arterial, alterações renais, hepáticas e sanguíneas.

Os medicamentos prescritos não deverão ser modificados ou as suas doses reduzidas nem pelos familiares, nem por outros profissionais de saúde, sem o consentimento do médico reumatologista pediátrico responsável pelo doente.

 

NOVAS PERSPECTIVAS TERAPÊUTICAS

Novas abordagens terapêuticas têm surgido nos últimos anos, para casos mais graves de doença, habitualmente com envolvimento poliarticular extenso.

Uma destas abordagens, já em fase de utilização em vários países, é com os chamados “agentes biológicos”, que são substâncias produzidas por métodos de engenharia genética que vão interferir com a actividade do sistema imunológico do doente, contribuindo dessa forma para diminuir de forma acentuada a actividade da doença.

O Etanercept é um destes medicamentos, já aprovado nos Estados Unidos da América para o tratamento de crianças com Artrites Idiopáticas Juvenis.

Um outro medicamento (Infliximab) está tambem a ser estudado com o mesmo fim, e outros se perspectivam para um futuro não muito distante.

Em casos muito graves da doença, em que todas as alternativas possíveis foram insuficientes, tem sido utilizado em vários países da Europa o transplante autólogo (trata-se de medula do próprio doente que lhe é transplantada) de medula óssea,  terapêutica que tem dado bons resultados, mas tem muitos efeitos secundários (entre eles, uma mortalidade a médio prazo de cerca de 15%, que limita bastante a utilização desta técnica terapêutica)

 

TRATAMENTO COM AGENTES FÍSICOS

Enquanto a medicação reduz a inflamação e dor articular, apenas os exercícios físicos orientados (fisioterapia) poderá restabelecer a mobilidade. O médico fisiatra ou o fisioterapeuta ensinarão o plano de exercícios mais adequados a fazer diariamente em casa. Nas crianças muito jovens, estes exercícios deverão ser entendidos como brincadeiras (fazer cócegas nos pés, dar pontapés em balões, jogos de plasticina, brincar com exercícios orientados durante o banho quente, etc.).

O uso de talas sempre que indicado e a importância do exercício físico e do repouso atrás referidos nas medidas gerais, não deverão ser esquecidos. Lembrar sempre que a actividade desportiva e recreativa não substituem o exercício terapêutico.

 

PLANO DE EXERCÍCIOS

A criança, e os seus pais, devem aprender um plano de exercícios, a efectuar diariamente, destinado a prevenir atrofias musculares e melhorar a mobilidade e função das articulações afectadas.

Este plano de exercícios deve ser individualizado para cada doente, de acordo com as articulações afectadas e a gravidade da doença.

 

CIRURGIA ORTOPÉDICA

Embora só excepcionalmente seja utilizada nas fases iniciais da doença, a cirurgia poderá ser muito útil em estados mais avançados, com fim de corrigir deformações articulares ou contraturas musculares e mesmo par substituir articulações com grandes destruições. Esta última atitude deverá reservar-se aos doentes que já tenham completado o seu crescimento corporal.

A cirurgia ortopédica tem conhecido avanços espectaculares ao longo das últimas duas décadas do Século XX, podendo contribuir de forma decisiva para a melhoria da qualidade de vida destes doentes.

 

Última modificação 2005-07-25 11:27
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